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Saturday, December 22, 2012

Juá e o Velho Chico. [Mochilão #18]

Estátua Nego D'água - Juazeiro.
Existem várias Juazeiros pelo Nordeste Brasileiro. As mais conhecidas são Juazeiro do Norte, no Ceará, terra do Padre Cícero, e a Juazeiro, que fica na Bahia. E é nessa segunda que estive uns dias atrás nessa minha descida pra Sampa. Depois que saí de Missão Velha (CE), atravessei Pernambuco passando por Salgueiro, Cabrobó e Petrolina. Pra quem vem pela BR-428, Petrolina é a última cidade. Atravessando a Ponte Presidente Dutra, você já se encontra na Bahia, na cidade de Juazeiro. É assim, uma de frente pra outra, separadas pelo Rio São Francisco, ou Velho Chico, como também é chamado. Juazeiro é uma árvore típica do Nordeste Brasileiro, reputada por diversas propriedades medicinais. Seu extrato, o juá, é empregado na indústria farmacêutica em produtos cosméticos, dentre eles xampus e cremes, bem como em cremes dentais. Em 2006 visitei o Delta do São Francisco, que fica a 140 km de Maceió, e tive a oportunidade de nadar em suas águas. Uma pena constar que em Juazeiro, pelo menos na orla do centro, isso não seria possível. Bonito pra se ver, mas fedido como o Rio Tietê, na capital, quando bate aquele calor. Foi uma visita rápida, estou evitando cidades grandes, mas a brisa do rio deu uma recarga na bateria. O calor no sertão é de matar mesmo. Pena que em Capim Grosso, já descendo mais ainda,  a bateria deu descarregada. Uma noite em claro com pernilongos assassinos e o barulho infernal de um bar ao lado da pousada, com música ao vivo, microfonias, péssimos cantores, uma caminhonete com som ligado e um grupo de pessoas que só sabiam conversar gritando, até o sol raiar. Literalmente. Há a beleza e a feiura das coisas. Espero encontrar paragens mais bonitas pelo caminho de volta pra casa.  

Monday, December 17, 2012

Minha peregrinação para a terra do Padre Cícero. [Mochilão #16]

Juazeiro do Norte - Ceará
A bem da verdade é que saí que nem louco pra esse mochilão. Não pesquisei nada e decidi meu destino nos acréscimos do segundo tempo. Como já disse aqui, fosse Nepal ou São José do Rio Pardo, tava valendo. No decorrer da viagem, depois que senti o ritmo das coisas, comecei a traçar alguns pontos. Se não fizesse isso, ia acabar em alguma tribo indígena no Amazonas, ou no Monte Roraíma, enfim. Indo pro norte do país, estabeleci que chegaria até Imperatriz, no Maranhão, e depois começaria a ir na transversal. Outro ponto estabelecido foi Juazeiro do Norte no Ceará pra depois começar a descida de volta pra Sampa. Também estabeleci que não visitaria capitais e nem cidades com mar. Essas capitais posso conhecer depois e ainda pretendo fazer uma viagem indo do litoral gaúcho até a Ilha de Marajó, no Pará. Depois de ter lido um livro chamado Cabras, fiquei morrendo de vontade de conhecer o Sertão Nordestino. Juazeiro do Norte é a capital do Sertão. Os relatos do livro me deixaram bem curioso sobre essa cidade e, apesar de não ter nenhuma religião, eu sou um observador das coisas e queria estar lá pra ver. Mas minha peregrinação começou bem antes de subir o Caminho do Horto sob o sol do meio dia (sim, fui bem burro e ingênuo) que me custou dois litros de água na subida de um pouco mais de 1 hora. Minha peregrinação começou quando depois de enfrentar a Sin City do Piauí, a cidade de Floriano, eu tive que esperar por longas horas o ônibus que me levaria pra Juazeiro do Norte, saindo da cidade de Picos. Eu desmaiei no ônibus de cansaço e minha fome estava em níveis preocupantes. Chegando na terra do Padre Cícero, eu quase dormi num dos bancos da rodoviária. Mas juntei forças e resolvi procurar algum lugar pra ficar. Encontrei um taxista bem bacana que me explicou várias coisas sobre essa terra e me levou para o hotel mais barato do centro, que segundo ele seria o melhor ponto de partida pra conhecer as coisas. Além de ter me levado, ele convenceu o recepcionista a fazer diárias por 25 pilas, ao invés de 35. Esse cara foi massa, pena que não o encontrei outras vezes por lá. Juazeiro do Norte tem um lance inexplicável no ar. O povo ama a cidade e Padre Cícero é o cara pra eles. Tudo gira em torno dessa figura e, farsa ou não, cativou todo um povo. Até Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, era devoto desse cabra e chegaram a se encontrar uma vez. Padim Ciço, como é mais frequentemente chamado pelos devotos, morreu em 20 de julho de 1934.

Sunday, December 16, 2012

Cidade de Floriano: Quem tem coragem? [Mochilão #15]

Rodoviária de Floriano - Piauí
"Cidade de Floriano, quem tem coragem?" foi como o motorista figuraça do ônibus anunciou a primeira cidade do Piauí pra quem vem pela BR-230 saindo do Maranhão. Logo de cara sou abordado por dezenas de moto-taxis me oferendo uma carona, outros me oferecendo passagens com descontos para diversos lugares e depois de me desvencilhar de tais sujeitos, percebo que desembarquei na Sin City do Piauí. Você, Florianense, não fique chateado. Minhas impressões se referem aos arredores da rodoviária. Mas não diga que não é assim. É assim e eu vi com os meus próprios olhos. Floriano tem uma atmosfera bombástica. Além do som super alto vindo das barracas que ficam na calçada, bem de frente pra rodoviária, senti toda espécia de cheiros ao mesmo tempo. Se alguém riscasse um fósforo ali, era explosão na certa. Cada barraca tocando seu som, disputando em volume com cada carro estacionado. Eu nem sei o que estava tocando. Coloquei minha mochila no chão, ao lado de uma mesa, e pedi uma cerveja. Era aquela gritaria generalizada e não dava pra sacar se era conversa alta por conta do som alto, ou se era briga. Foi uma breja só e me mandei dali. Era caminhão atrás de caminhão passando na avenida e milhares - MILHARES - de motos. Do outro lado da rodoviária uma rua cheia de dormitórios. Quartos pequenos com banheiro coletivo, sem café da manhã por 25 pilas. Eu precisava muito me retirar e descansar. Meu ônibus pra Juazeiro do Norte passaria somente em 5 horas. Depois de um breve descanso, sem deixar de ouvir gemidos de gente transando e brigando nos quartos vizinhos, procurei um lugar pra tomar café da manhã. A procura foi em vão e preferi jejuar até alguma parada que o ônibus fizesse na estrada. Mas, para minha surpresa, o ônibus ia atrasar 3 horas. Não, não poderia mais ficar ali. Como não tinha comprado minha passagem ainda, arrumei um táxi que me levou até a cidade de Picos (2 horas de viagem) por somente 40 reais. Mas porque fui dividindo com duas senhoras que foram atrás. Mas mesmo assim, né? Você de São Paulo sabe que isso se gasta facilmente do Tatuapé até o Cangaíba. Em Picos, outra supresa. A rodoviária tinha almoço bom, lan house e ar-condicionado. Fiquei de careta com a diferença entre as duas cidades de quase mesmo tamanho. De lá segui minha peregrinação pra Juazeiro do Norte. Mas não antes de enfrentar mais horas de espera e sob um calor de 42 graus que estava me derretendo na sombra. Isso tudo pra conhecer a cidade de Padre Cícero, que te conto logo mais.    

Tuesday, December 11, 2012

O Portal da Amazônia ou simplesmente, Imperosa. [Mochilão #12]

Conheci Julio em 2009. Ele me contou várias histórias de Imperatriz, a segunda cidade mais populosa do Maranhão, com 247 mil habitantes. Me contou histórias do Rio Tocantins, dos botecos, dos seus amigos que deixou lá pra ir morar em São Paulo. Eu sabia que em algum momento eu passaria por lá. Essas histórias me instigam. Tive uma aluna que já tinha seus quase 70 anos e o sonho dela era melhorar o inglês para poder fazer viagens fora do país. Do Brasil, ela conhecia quase tudo e me passou esse gosto por viagens desse tipo que estou fazendo. Não sei se ela lembra disso, mas como gostaria de reecontrá-la e dizer que ela vai estar sempre na minha memória. Quando ela descreveu a sensação de ter pegado carona uma vez rumo ao Chile e avistou os Andes lá no horizonte, ela quase chorou. Eu tive a oportunidade de fazer isso, e é realmente incrível. Imperatriz é caótica, trânsito maluco, milhares de bikes, motos, carros e carroças, tudo junto e misturado. Coisa de louco mesmo. Eu fiquei um pouco sufocado, principalmente na chegada. Me senti meio desamparado e desesperado pra encontrar um lugar e poder descansar. Já no outro dia, pude viver um pouco mais daquela Babilônia. Essa viagem tem me colocado em xeque várias vezes. 
Julio, obrigado. Essa postagem é pra você, meu amigo!

Friday, December 07, 2012

Sonho ou pesadelo [Mochilão #9]

Praça dos Girassóis - Palmas - TO
Eu lembro quando tinha 10 anos e a professora de Geografia disse que tinham acabado de criar um novo Estado. Isso foi em 1988, quando foi aprovado no Congresso Nacional a criação de Tocantins. Logo no ano seguinte veio a fundação da capital - Palmas - em 20 de maio de 1989. Desde muito tempo antes disso já havia movimentos separatistas na região. Mas isso você pode pesquisar mais aqui na internet se for do seu interesse. Há pouco morreu Oscar Niemeyer e não quero causar nenhuma espécie de revolta nos adoradores desse deus do concreto. Parece que certas coisas não podem ser questionáveis e o cara parece que conseguiu esse status. Assim como Niemeyer fez com Brasília, fizeram os arquitetos que projetaram Palmas. Sonho pra quem tem dinheiro e carro. Pesadelo pra quem se locomove com as pernas, como eu. Tudo longe, faixas de pedestres no lugar onde é até um insulto ter que andar pra atravessar a rua. Ônibus caro, cheio, e meio que saindo do nada e indo pra lugar nenhum. A cidade foi projetada pra crescer. E muito! O que impressiona em Palmas é a imensidão de seu céu. Mano! A cidade é praticamente toda plana e ainda possui poucos prédios, então sobra céu em cima da cabeça. O rio Tocantins pode ser visto de vários pontos da cidade, passando lá embaixo. Poderoso! Agora, se você é do tipo que não gosta de calor, não cogite sequer pensar em um dia vir pra cá. Palmas parece um oásis no meio do deserto. Ali, no meio do cerrado, calor de 40 graus fácil. Isso porque cheguei na época "fresca", a época da chuva. Dizem que isso aqui em agosto e setembro é o inferno na Terra. E eu camelei, viu! Bati perna nessa cidade. Bebi litros de água no caminho. Nunca vou esquecer, foi como estivesse andando numa fornalha. 

Thursday, December 06, 2012

Senhores pais ou responsáveis [Mochilão #7]

Cavalcante - GO
"Senhores pais ou responsáveis, venha exercer sua cidadania. Compareça à escola municipal pra eleger a nova diretora. Não deixe de votar. Amanhã das 9h às 15h na escola municipal".
Daí você já imagina a vibe da cidade. Cavalcante está praticamente num vale no norte da Chapada dos Veadeiros. Sinal de celular pra quê? Com quase 10 mil habitantes, é um sossego que só. Muita coisa tem sido novidade nessa minha viagem. Não imaginava que em plena época na qual vivemos, existissem quilombos ainda. Pois é, bem próximo de Cavalcante existe uma parte da comunidade Kalunga, descendentes de escravos que fugiram na época da escravidão. Uma grande pena ter passado por essas bandas numa época de chuva forte e estradas péssimas de terra e não poder fazer uma visita. Ouvi muitas histórias do povo local  sobre esse quilombo. Se gosta dessas paradas, procure na internet. É muito interessante e vale uma volta só pra fazer isso. 

Friday, November 30, 2012

Cidade da eterna primavera [Mochilão #4]

Tem muita coisa pra ser dita quando se faz uma viagem dessas de mochila nas costas e decidindo o próximo destino on the go. Vou me ater às minhas impressões. Saindo de Quirinópolis, peguei um ônibus com destino à Goiânia. 6 horas de estrada ruim num ônibus meia boca sem ar-condicionado. Calor, mormaço, aquele ventão batendo na cara pela janela. Cheguei na cidade da eterna primavera perto do anoitecer. Como disse na postagem anterior, fiquei num hotel ao lado da rodoviária, o primeiro que achei porque estava bem cansado. Logo de primeira, já senti que não ficaria ali por muito tempo. Goiânia tem cerca de 1 milhão e 300 mil habitantes. Trânsito, poluição, aquela coisa de cidade grande mesmo. Mas topei um rolê no dia seguinte, antes de pegar um outro ônibus pra Alto Paraíso de Goiás. Saí de manhã, depois de ficar de ouvido em várias histórias no café da manhã do hotel, e fui passear sentido centro numa caminhada de 1 hora. Numa cidade grande é mais difícil conseguir uma interação com outras pessoas. Percebi olhares meio desconfiados quando ficava parado por algum tempo em algum lugar. Talvez seja pela cara de mendigo que estou e chinelo nos pés. Falando nisso, abandonei o tênis. Me larguei. Estou seguindo de bermuda e chinelo. Para estudantes de arquitetura, Goiânia seja uma cidade interessante. A cidade foi fundada nos anos 30, é super nova, e sua arquitetura teve bastante influência da Art Decó, que definiu a fisionomia dos primeiros prédios da cidade. Vale a pena esse olhar. Depois de Edmonton, possui o maior índice de área verde por habitante no mundo. Como conheci superficialmente, não tive essa impressão.  

Monday, September 24, 2012

mais um dia sem carro

na praça do ciclista.
foto de cid cardoso.
uma cidade bem planejada na questão de transporte público, nos seus vários modais, funcionando 24 horas por dia. assim não é a cidade onde vivo. mas vislumbro essa possibilidade. a cidade pode viver sem o carro. com mais espaço pras pessoas. com um bom condicionamento físico e uma boa bicicleta (que pode ser bem simples e barata), e ainda com vias seguras pra se pedalar, a bicicleta seria uma excelente opção pra ir pra qualquer canto. já faço meus rolês pra vários cantos de bike, mas a usaria menos com um transporte público de primeira. acessível, confortável, seguro, disponível e barato. teria que ser assim. essa fissura pelo carro, ou o status que o cerca - pura ignorância na minha opinião - atrapalha bastante esse outro olhar. essa foi minha terceira bicicletada do dia mundial sem carro. a mais vazia de todas. esperava um número surpreendente, como foi a do ano passado. ocorreram várias atividades em prol da mobilidade urbana, mas a bicicletada em si pareceu mais um rolê de bike noturno. teria poucas ideias pra mudar, mas fica o que observei. 
pedalei cerca de 70 km no dia pela cidade. aqui está o link do meu trajeto. [dmsc 2012]

Monday, July 23, 2012

mochila nas costas

de bike em vancouver. stanley park e lions gate bridge ao fundo.
larguei um trabalho que me pagava muito bem. tinha só 22 anos. fui para vancouver, no canadá. aquela coisa, os pais piraram. mas fui indo, do meu jeito, sempre pensando que o melhor é trabalhar cada vez menos e usufruir do tempo livre que cada vez me sobra mais, do jeito que eu bem entender. anos depois a mesma coisa. larguei a coordenação pedagógica de uma escola de idiomas e fiquei 7 meses sem trabalhar, me mantendo com um pouco de grana que tinha juntado e metade da grana do seguro do carro, que havia sido roubado. fico nesse vai e vem. trabalho pra mim não é status nenhum. nem consigo entender como as pessoas apreciam essa coisa de status devido ao emprego que elas têm. trabalho pra mim é receita, é fonte de renda. trabalho porque preciso do dinheiro. e agora, aos 34 anos, estou embarcando em outra. dessa vez pra ficar mais tempo. vou fazer um mochilão pela américa do sul. não tenho trajeto definido. vou definindo de acordo com o desenrolar dos acontecimentos e tenho uma noção de quanto posso gastar diariamente. isso basta pra mim. essa é a primeira vez que falo dessa viagem aqui no blog. talvez vá postando algumas coisas dos preparativos, se achar que pode ser útil de alguma maneira. ou só pra registro mesmo.  

explore zl - penha [rolê #60]

Chave-de-Boca: explore zl - penha [rolê #60]: sexagésimo rolê chave-de-boca. mais uma vez explorando a zl. há uma lenda que faz parte da penha. conta-se que um francês, católico devot...

Friday, March 30, 2012

we are the 99%

ocupação é a palavra da vez. ações de ocupação estão acontecendo em todo o mundo. no meio do ano passado um rapaz no tumblr veio com essa frase we are the 99% e em menos de um ano isso virou o slogan de todo um movimento. há muitas coisas para serem ditas sobre os movimentos de ocupação, mas em linhas gerais, quase todos tem as mesmas características: não são violentos, presença das diversas manifestações de arte, ocupam o espaço público, são divulgados e combinados pela internet, são organizados de maneira horizontal, ou seja, sem líderes como numa organização hierárquica vertical. todos lutam por uma estrutura econômica e relação de poder mais justas. não tem nada de novo nisso, mas é a primeira vez que ganha o mundo inteiro de uma vez. na sua essência esses movimentos são anarquistas. o anarquismo é fonte de uma discussão sem fim. há alguns que dizem que não estamos preparados para viver numa sociedade anárquica. mas o que você tem hoje? eu tenho vários amigos, muitos bem próximos, que acordam todos os dias e estão prontos pra enfrentar horas de deslocamento em situações nada confortáveis, nada humanas. não bastasse o deslocamento diário estressante, estão prontos pra um dia de trabalho de oito horas. isso, na sua grande maioria, por cinco dias da semana. por anos e anos até a velhice de suas vidas. se você está pronto pra isso, você está pronto pra qualquer coisa. basta abrir os olhos. olhe ao seu redor. como isso pode ser melhor do que querer a cidade para as pessoas, com ações mais diretas e menos burocráticas. com pessoas ocupando o espaço público, trocando experiências, ensinado coisas umas pras outras, aprendendo, se manifestando. com relações de trabalho mais humanas e não como esse modelo exploratório no qual vivemos. isso é migalha. todos merecemos mais tempo, temos uma vida pra viver, a única. há todo um movimento acontecendo. como diz a imagem aí de cima: 99 to one. those are great odds. stand together. 

Monday, March 26, 2012

pelo vale do tiquatira [bike #49]

na foto de darcio herrero: eu, gérson e guilherme pedalando na inauguração da terceira ciclofaixa de lazer da cidade de são paulo, no tiquatira, zona leste. rolê #49 do chave-de-boca. o parque linear tiquatira fica num vale, entre os bairros da penha e cangaíba. hoje o córrego é canalizado, mas eu lembro de quando a região era uma imensa várzea. conta dona rita que ela nadava e pegava peixinhos com a peneira. a ciclofaixa tem 14km de extensão e é uma ótima opção pra quem quer pedalar conversando com os amigos e ouvindo histórias. mas lembre-se, só de domingo das 7h às 16h. 

Wednesday, March 21, 2012

provo realises that it will lose in the end, but it cannot pass up the chance to make at least one more heartfelt attempt to provoke society.

amsterdã, anos 60
quando meus pais estavam na adolescência e moravam numa pequena cidade do interior de são paulo, na inglaterra os beatles estavam lançando os álbuns rubber soul e revolver, e ali perto na holanda estava nascendo um movimento de contracultura que tinha como foco provocar atitudes violentas por parte das autoridades através de ações não violentas. o nome desse grupo era provo, que vem do holandês provocatie, em português provocação. as provocações eram criativas e contavam com o apoio popular. chegaram a colocar as autoridades em muitas gafes. os provos influenciaram o movimento hippie e até o movimento estudantil de maio de 68, tido por alguns filósofos e historiadores como um dos principais movimentos revolucionários do século xx. muito do que vemos em amsterdã nos dias de hoje é fruto dessa semente plantada pelos provos. conta-se que numa ação de provocação contra a ditadura do carro - e isso era anos 60 - os provos espalharam algumas dezenas de bikes brancas (the white bicycle plan) pela cidade para serem usadas pela população. as bicicletas foram recolhidas pelas autoridades por infringir uma lei que dizia que as mesmas não poderiam ficar estacionadas sem cadeado. os provos espalharam as bikes novamente, só que dessa vez com cadeados e as combinações pintadas na bike. estou colocando o plano de maneira bem simplificada e qualquer navegada na internet você consegue se aprofundar na questão. muito dessa tolerância que se tem hoje em dia em relação à maconha, com seus coffee shops, também é fruto das ações que começaram com os provos na década de 60. 
penso que todo movimento em prol da conquista de algo bom, não só pra quem participa, mas pra sociedade em geral, deve ser encorajado e divulgado. gostaria eu poder andar de bicicleta com mais segurança pela cidade onde nasci e moro, com respeito mútuo entre motoristas e ciclistas, e ter um transporte coletivo de melhor qualidade. gostaria de poder consumir algo de boa qualidade sem ter que me esconder ou movimentar algo que só traz malefícios sociais, que me empurra a uma contradição e um conflito ético porque a legalização não é interessante pra meia dúzia de gatos pingados que se encontram no poder. gostaria também de trabalhar menos, bem menos. ter mais tempo pra atividades artísticas e a convivência com as pessoas que gosto. e se um dia for pai, ter mais tempo pra educar e dar amor.

como diz um amigo, o jeito é resistir, provocar e praticar o sarcasmo. ou, se recolher na frente da televisão depois de um dia cansativo de trabalho. 

Saturday, March 10, 2012

pedalar pelado. por quê?

a história do world naked bike ride é muito interessante. em 2004, tanto no canadá como no espanha, aconteceram eventos similares na mesma época, o inconsciente coletivo que tinha vontade de expor o corpo frente a essa indecência que é a política de transporte urbano. é com essas palavras que renata falzoni abre essa matéria sobre a pedalada pelada. nos vídeos, histórias interessantes de pessoas que adotaram a bicicleta como meio de transporte e a experiência de mostrar o corpo na frente de um monte de câmeras, jornalistas e dos próprios amigos. além da reação da polícia. assista esses dois vídeos que tirei do site bicicleteiro.org e entenda as razões da pedalada pelada.


Monday, December 05, 2011

#38 - extremo leste - periferia zl

acompanhe. até a data de hoje, a cidade de são paulo está dividida em 31 subprefeituras, e estas em distritos, somando 96 subdivisões. temos feito bastante rolês pela região administrada pela subprefeitura de são miguel paulista, mas especificamente pelo distrito do jardim helena. além da estação da cptm jardim helena/vila mara, o distrito possui as estações itaim paulista (foto acima) e jardim romano. mas somente a parte norte dessas estações, pois a parte sul pertence ao distrito de itaim paulista. confuso, não? não bastasse a confusão, é senso comum dos moradores acharem que a parte do extremo leste do distrito do jardim helena, formada pelos bairros jardim romano, vila itaim e jardim aimoré, acharem que esses três bairros fazem parte do distrito de itaim paulista. acabou aí? não, os moradores da parte oeste do distrito do jardim helena, formada pelos bairros vila mara e parque paulistano, acham que os mesmos fazem parte do distrito de são miguel paulista. enfim, fato é que todos esses bairros tem uma coisa em comum: são margeados pelo rio tietê, bem onde o rio faz uma curva enorme, e quando chove, principalmente as chuvas de início de ano, são castigados pelas águas que invadem. são cenas surpreendentes. no jardim romano, por exemplo, há um trecho frequentemente referenciado como jardim pantanal, região de várzea do rio tietê, e todos devem se lembrar que no final de 2009 e começo de 2010 a região chegou a ficar 1 mês alagada.
sem saber explicar o motivo pelo qual eu acho a urbe fascinante, principalmente a zona leste, é muito natural que procure me informar sobre as coisas que acontecem nesses bairros. há muito tempo que queria conhecer mais a fundo a região, e os rolês de bike com os amigos tem feito essa busca mais interessante. pra quem se interessa, um bom jeito de começar a conhecer essa parte da zona leste é uma visita à capela dos índios, na praça padre aleixo monteiro mafra, ou como todos a conhecem, praça do forró. também tem a fazenda biacica, marco da colonização na região, além da companhia nitroquímica brasileira, empresa do grupo votorantim, que se estabeleceu lá em 1932 gerando uma forte migração, principalmente de nordestinos, e foi um fator fundamental para o "desenvolvimento" da região. bom, o rio tietê que o diga.


Wednesday, November 30, 2011

#37 - explore zl - vila curuçá, pq. chico mendes

é tenso quando acontece essas coisas bem no domingo de manhã. colocar a mão na roda e sair com uma hora de atraso. nada legal para um ser preguiçoso como eu. mas é assim, pode ser evitado em alguns casos. no meu poderia ser evitado se eu calibrasse os pneus com regularidade. não bastasse o pneu murcho, o pino da câmara quebrou. mas, enfim, pedalemos, o parque chico mendes nos espera. pra quem sai da região do cangaíba, a melhor opção de trajeto é pela ciclovia várzeas do tietê (que inúmeras vezes mencionei aqui). chega-se no bairro jardim helena, bem atrás da nitroquímica. essa região é toda plana pra pedalar. é como se fosse uma grande várzea do rio. região de periferia, com muitas coisas legais pra se ver. optamos por cruzar pela passarela da estação de trem da cptm jardim helena/vila mara, chegando do outro lado, num trecho da avenida marechal tito. de lá já é um pulo para o parque chico mendes, que fica na vila curuçá, uma região que tem melhorado bastante nos últimos tempos. os rolês acontecessem geralmente de domingo. nesse link o relato do meu amigo marcos sobre esse rolê e mais fotos. 
parque chico mendes - rua cembira, 1201 - vila curuçá - são paulo 

Friday, November 25, 2011

blu and osgemeos in lisboa

projeto colaborativo entre dois dos maiores grafiteiros do mundo. à esquerda um grafite dos brasileiros osgemeos e à direita um do italiano blu. essa ação conjunta foi feita em 2010 para o crono festival em lisboa. abaixo estou postando o vídeo desse projeto. se gosta desse tipo de intervenção na urbe e ainda não conhece os caras, separe um tempo pra viajar nos sites deles.

Thursday, November 03, 2011

parque santa amélia [bike #33]

parque pequeno e bem conservado no itaim paulista, extremo leste de são paulo. morei aí perto até os 5 anos de idade e, lógico, tive que passar na frente da casa onde nasci, em mais um rolê com o chave-de-boca. dessa vez pedalamos do parque ecológico do tietê, seguindo a ciclovia, até o jardim helena. de lá voltamos um pouco até a praça do forró em são miguel paulista e pegamos o percurso inteiro da av. marechal tito até quase a divisa com itaquaquecetuba. mas se você resolver pedalar por lá, aqui fica o recado: marechal tito é terra de ninguém, com motoristas que ainda acham que lugar de bicicleta é no parque. pra mim, a surpresa do rolê foi o caminho de volta. nunca tinha atravessado o viaduto do itaim para o outro lado da linha do trem. pedalar ali foi bem mais tranquilo. boa parte do trecho foi em ruas residenciais com aquele ar alegre de periferia, com um monte de gente nas ruas. metade do grupo resolveu voltar de trem por conta do horário e da chuva que ameaçava cair. a outra metade foi no pedal mesmo. nossa referência foi a linha do trem, o que nos levou até a nitroquímica, no jardim helena. de lá é só pegar a ciclovia pra voltar ao ponto de início, no pq. ecológico do tietê, em engenheiro goulart. e chuva que ameaçou cair o rolê inteiro foi me pegar bem na porta de casa. aquelas de ensopar. delícia.

veja aqui o relato da minha amiga adriana no nosso blog.  

Wednesday, October 26, 2011

flyers toscos e pedaladas

o negócio é ser tosco de propósito. alguém dá idéia de um rolê, outro vai lá reunir as informações e fazer o flyer. tivemos um dia a idéia de fazer rolês pela zona leste de são paulo, conhecer novos caminhos, pedalar por onde só costumávamos passar de carro ou ônibus. o primeiro explore zl foi no rolê #28 quando fomos do tiquatira na penha até guaianazes. agora, já no rolê #33, escolhemos fazer um passeio do pq. ecológico tietê até o parque santa amélia no itaim paulista, extremo leste da cidade. lugar onde passei minha infância até os 5 anos. pra quem gosta de se aventurar no espaço urbano, como eu, essa parte da zona leste oferece muitas opções. é só cavucar. muita coisa interessante, grafite bom, gente buena onda e ruas pra pedalar. voltando aos flyers, olha só abaixo o flyer tosquíssimo do primeiro rolê e os nomes de todos os amigos que organizaram.

Tuesday, October 25, 2011

vila de paranapiacaba [bike #32]

pedalando por entre o que sobrou do antigo centro operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa são paulo railway, em paranapiacaba, santo andré. essa estação foi inaugurada em 1874 como o nome de estação alto da serra e só mais tarde foi chamada de paranapiacaba, que em tupi-guarani significa "de onde se avista o mar". ótima escolha pra quem curte fazer umas trilhas de mtb. já pra quem prefere uma pedalada forte, o atrativo desse rolê é a estrada que liga a estação rio grande da serra até a vila de paranapiacaba. bem conservada. mas tem que tomar cuidado com os carros e motos que passam pela via. são cerca de 12km de estrada, com subidas e descidas que são um bom treinamento para os amantes de audax. já na cidade, vale a pena sentar pra tomar uma cerveja e papear com os amigos. tem muito o que fazer, mas tem que ir com tempo. destaque para o grande relógio fabricado pela johnny walker benson, de londres, que fica muito legal no meio da neblina, muito comum nessa região.