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Tuesday, February 05, 2013
Wednesday, October 31, 2012
vamos farejando, tateando, de orelhas levantadas.
| floripa - outubro de 2012 |
- seguimos?
- não sei. será que é perigoso?
- não sei. vamos farejando, tateando, de orelhas levantadas.
já disse aqui que uma vez olhei para os olhos de minha avó e vi olhos de menina. senti um misto de pena e compaixão. percebi depois que estava sentindo era pena de mim mesmo. no fundo, somos seres egoístas e muitas vezes bem mesquinhos. usamos o outro. o outro nos traz segurança. vivemos no rebanho. o viver no rebanho nos traz segurança. vivemos num paradoxo: segurança x liberdade. almejamos a liberdade, mas a liberdade pode ser caos. assim, caminhamos para o polo da segurança. pode-se viver uma vida inteira de ilusões. a busca pela segurança é uma grande ilusão. não é de se espantar o acúmulo de frustrações e medo no decorrer da vida. quando olhei para os olhos de minha avó e vi olhos de menina, senti pena de mim mesmo. medo de ser menino quase no fim na vida. esse sentimento de auto-compaixão é patético. e uma vez identificado - de verdade - cai como uma folha de árvore no outono.
libertar-se psicologicamente dessas amarras é ser mais independente. essa independência é solitária. quando se é sozinho, sua relação com o outro muda. as relações passam a ser mais sinceras e o mero coleguismo que se tem com o outro perde lugar para a verdadeira amizade. o outro é necessário, não somos uma ilha. uma verdadeira relação de amizade nos leva para um outro patamar. acreditar na mudança do coletivo pra se ter uma sociedade melhor é acreditar numa ilusão. o coletivo pressupõe autoridade, obediência, ajustamento às regras estabelecidas. isso é caminhar para o polo da segurança. caminhar para o polo da liberdade é apostar no indivíduo. somos essencialmente sozinhos. e sozinhos morreremos. a morte é enfrentada pelo indíviduo. assim também tem que ser a vida enfrentada. viver como indivíduo, aceitar que o outro é um indívíduo completamente diferente é ser livre. a liberdade pode ser caos. mas o que é caos? não pode ser pior do que esse buraco que é a busca contante por segurança. viver sem script, não ter medo de errar, dar boas-vindas ao desconhecido. isso é viver.
Wednesday, July 04, 2012
rótulos
Tomar um Jack Daniel's sabendo que você esta tomando um Jack Daniel's é diferente de pegar um copo de whiskey, não sabendo que é Jack Daniel's, e tomar. O rótulo diz muito sobre o produto, qualquer que seja o produto. Quando falamos que somos o produto dessa sociedade, o produto do capitalismo, o produto da globalização, disso e daquilo, somos, então, produto também. Quando sei que tomo um whiskey chamado Jack Daniel's, sei do gosto antes. Sei da qualidade, sei do prazer de tomar um whiskey antes de tomá-lo. Quando olho para o rótulo das coisas, já sei antes. Já sei antes porque me baseio na experiência que tive, no conhecimento que tenho. Conhecimento pressupõe julgamento e conclusão. O Rótulo se relaciona intimamente com o passado. Mesmo que nunca tenha experimentado aquele produto, o rótulo me diz muitas coisas. E se me diz muitas coisas, é porque elas já existiram e são do passado.
Quando experimento, julgo e concluo, eu coloco um rótulo. Quando digo que uma pessoa é orgulhosa, teimosa, mentirosa, chorona, inteligente, legal, confiável, entre outros rótulos, eu me relaciono com essa pessoa através do passado. Eu experimentei, fiz um julgamento, tirei uma conclusão e a congelei no tempo. Quando olho o rótulo eu já sei o gosto antes de experimentar. Eu sei se é bom, se é ruim, ou qualquer outra coisa. Rotular é definir, limitar e embotar a mente.
escrito em 28 de junho de 2009.
escrito em 28 de junho de 2009.
Monday, July 02, 2012
no meio da massa dos anônimos sem rumo
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| parque chico mendes - zona leste de são paulo |
A cultura da eficiência nega o ócio, veementemente. A idéia de alguém desocupado, contemplativo, quando tudo à sua volta anda acelerado, sugere transgressão à ordem, atrai desprezo e intolerância daqueles que sempre dão duro para se manter, a custa do estresse, do esgotamento, da eterna falta de tempo para relaxar e cuidar mais de si próprio, para, enfim, simplesmente ser.
em algum dia de 2009.
Friday, June 29, 2012
sinfonia da destruição
Tenho que ir ao banco resolver algumas questões financeiras. Posso usar a internet, mas mesmo tendo um anti-vírus que dizem ser bem eficaz, meu computador está com vírus. Tenho que andar, pensar, observar e chegar a algumas conclusões. Conclusões são como drogas, nos trazem paz por algum tempo. Saio de casa, olho para os dois lados para atravessar a rua. Um coração de motor passa a uns 70 km/h numa rua onde crianças brincam com cachorros e mulheres conversam sobre o cotidiano.
Esse produto contém mais de 4.700 substâncias tóxicas e nicotina que causa dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para consumo destas substâncias.
Lá se vai voluntariamente mais 9 mg de monóxido de carbono para dentro do meu pulmão, além daquela quantidade que respiro diariamente como pagamento de um progresso que financio para poder me deslocar confortavelmente dentro de meu Corsa Sedan ano 2003.
Há algum tempo tem sido discutida a questão da crise do petróleo. Como alternativa alguns países adotaram o biocombustível. Para atender à demanda de combustível necessária, muitos hectares de terra são usados na produção de produtos como o milho, a cana de açúcar – entre outros – em terras onde poderiam ser plantadas alimentos. Agora temos a crise dos alimentos. Neste momento estão reunidos os representantes dos oito países mais poderosos do mundo para discutir essa questão.
Agora estou na avenida; são mais uns 20 minutos de caminhada até o banco. Mais 9 mg de monóxido de carbono. A nicotina me causa um pouco de prazer. Fico levemente tonto e mais atento para atravessar a rua. Vou caminhando ao som de martelos quebrando paredes, carros, ônibus e motos. Desvio de uma escada que ocupa a calçada inteira, mas antes tenho que esperar a lotação passar pelo canto da rua, grudada na guia, onde estão paradas vidas que correm contra o tempo. A banca de jornal também obstrui o caminho. Nos jornais pendurados, a notícia de João Roberto, de 3 anos, que foi atingido por uma bala no Rio de Janeiro. A bala era da polícia que perseguia um Fiat Stilo na Tijuca. O Palio Weekend onde o menino estava com a mãe e o irmão levou 15 tiros.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze tiros.
Mas a polícia estava perseguindo outro carro da Fiat, o Stilo.
João Beltrame, secretário da Segurança Pública do Rio disse que a ação policial foi desastrosa. Faltou treinamento, faltou raciocínio. Faltaram critério e preparo. Isso mesmo! Veja lá, está na capa do Diário de S. Paulo desta Terça-Feira, 8 de Julho de 2008.
De um lado o Estado, protegido por suas leis e sua segurança privada, a Polícia. De outro todos aqueles que vivem da ilegalidade. De que lado você está? Nenhum! Você está no meio, como eu. Você está no meio, a mercê de balas perdidas, de lotações assassinas e daquela pedra que pode cair na sua cabeça, só porque você achou que era mais seguro andar na calçada.
Você está no meio, ao som da sinfonia da destruição.
escrito em 8 de julho de 2008.
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