Wednesday, July 24, 2013

O Primo Basílio - descrição de um sexo oral.

O filme.  
O longa "O Primo Basílio" foi inspirado no livro homônimo de Eça de Queirós. No filme a história se passa em São Paulo, ao invés de Lisboa. O marido Jorge, engenheiro, viaja para a construção da nova capital federal, Brasília. O ano é de 1958. No livro, Jorge viaja para o Alentejo e a época da trama é no final do século XIX. Sem mais enrolações, descrevo aqui a que é considerada talvez a primeira descrição de um sexo oral na Literatura Portuguesa. Por que nossos professores nunca falaram disso? Aprende-se muito mais fora das escolas, meus amigos. Aqui vai o trecho. Saboreie. 

"Basílio achava-a irresistível; quem diria que uma burguesinha podia ter tanto chique, tanta queda? Ajoelhou-se, tomou-lhe os pezinhos entre as mãos, beijou-lhos; depois, dizendo muito mal das ligas 'tão feias, com fechos de metal', beijou-lhe respeitosamente os joelhos; e então fez-lhe baixinho um pedido. Ela corou, sorriu, dizia: 'não! não!' E quando saiu do seu delírio tapou o rosto com as mãos, toda escarlate; murmurou repreensivamente:

- Oh, Basílio!

Ele torcia o bigode, muito satisfeito. Ensinara-lhe uma sensação nova; tinha-a na mão!".

O Primo Basílio - Eça de Queirós. [1878]

Lançado em 1878, um século antes do meu nascimento. Os estudiosos da Literatura o classificam como Realismo-Naturalismo. Quando o li pela primeira vez, em 1997, como mostra a primeira assinatura que fiz no livro, achei a leitura um pouco maçante. Já agora, aquilo que mais me entediou naqueles anos, foi o que mais me impressionou. A riqueza dos detalhes e como elas se apresentam no enredo fazem com que eu coloque O Primo Basílio na minha lista de favoritos. O livro é uma crítica à burguesia Lisboeta, tendo como cenário a própria cidade de Lisboa. Pelo menos é assim que dizem aqueles que estudam. Muito mais que isso, uma grande estória de amor e traição. 

Personagens: Luísa, Jorge, Basílio, Juliana, Sebastião, Conselheiro Acácio, Julião, Leopoldina, Dona Felicidade, Senhor Paula, Joana, Tia Joana, Mariana, Doutor Caminha, Tia Vitória e Visconde Reinaldo.  

608 páginas. 


Harry Potter e As Relíquias da Morte [2007]

O filme tem 2 partes. Último livro da série. Já havia assistido à primeira parte do filme em São José do Rio Pardo, numas férias, mas a segunda parte foi totalmente uma surpresa pra mim. Depois de exatamente 1 ano, acabo a saga. Não digo mais pra evitar os spoilers. Publicado originalmente como Harry Potter and The Deathly Hallows e em Portugal como Harry Potter e Os Talismãs da Morte. Traduções de Lia Wyler. 590 páginas. 

Harry Potter and The Half-Blood Prince [2005]

O Enigma do Príncipe, no Brasil. Em Portugal, O Príncipe Misterioso. Sexto livro da série Harry Potter, escrito por J.K.Rowling. Acabei todos os livros da série há pouco mais de 1 mês. Nesse livro, muitas coisas reveladoras sobre a figura de Severo Snape, todas continuadas e concluídas no último livro: Harry Potter e As Relíquias da Morte. Traduções de Lia Wyler. 

Tuesday, March 26, 2013

kyuss - blues for the red sun [1992]

Segundo álbum do Kyuss, 14 faixas. Com pouco de sucesso comercial, mas tido como ícone do stoner metal e influência pra várias bandas. Gosto de ouvi-lo inteiro, mas destaco as seguintes faixas:

3. Green Machine - Talvez a mais conhecida. Tem um solo de baixo de Nick Oliveri. No clipe quem aparece tocando é Scott Reeder, que entrou depois da saída de Oliveri e gravou os dois próximos, e últimos, álbuns do Kyuss. 

8. Freedom Run - Música de Josh Homme. Letra de Brant Bjork e Josh Homme. A parceria entre os dois é algo marcante no álbum, mas Josh é quem assina a maioria das composições.

12, Allen's Wrench - Uma das minhas favoritas. Quando cheguei ao show da banda no Carioca Club, em São Paulo, estava tocando essa música. Praticamente final do show. 

Nick Oliveri - baixista - só compôs a faixa 13, Mondo Generator. 
John Garcia - vocalista - provavelmente não compôs nada. A maioria das letras é de Josh e Brant - guitarra e bateria.

Friday, February 22, 2013

Osgemeos [Graffiti SP #3]

Foto: Sandre Quirino
Dos irmãos gêmeos Otávio e Gustavo Pandolfo, nascidos em 1974. Reconhecidos internacionalmente, esse é um pequeno grafite na Av. Radial Leste-Oeste, próximo ao Viaduto do Glicério. Foto tirada no primeiro rolê do chave-de-boca [rolê #5] para o Parque do Ibirapuera. 

Thursday, February 21, 2013

Daniel Melim [Graffiti SP #2]

Foto: Sandre Quirino
Na Avenida Prestes Maia, próximo à Estação da Luz. Do artista Daniel Melim. Utilizando a técnica do stencil. O mural tem mais de 30 metros de altura. No final de 2012 o artista lançou no Catarse um projeto para impedir que sua obra seja apagada pelo proprietário do local. O artista pretende juntar 26 mil reais para pagar o aluguel do espaço. Veja mais sobre o projeto aqui.

Wednesday, February 20, 2013

Chivitz [Graffiti SP #1]

Foto: Sandre Quirino
Grafite do artista paulistano Chivitz, na Avenida Ipiranga, na altura da Rua 24 de Maio, entrada do Metrô República.

Monday, February 18, 2013

II Bienal Internacional Graffiti Fine Art

Do artista angolano Skorface.
Aconteceu até o dia 17/02 no MuBE, em São Paulo. Peguei bem no último dia. Reconheci o trabalho de alguns artistas, mas não a maioria. O pouco que conheço de grafite vem de fotos que já tirei por São Paulo e algumas outras cidades. Aí dou aquela pesquisada básica na Internet e fico sabendo um pouco mais. Aqui no blog tem algumas postagens sobre o assunto, é só clicar no marcador grafite aí embaixo pra dar uma olhada. 

Thursday, February 07, 2013

Updates

Texto colaborativo para o chave-de-boca:

Uma música pra compartilhar:

E é só isso por agora.

Sunday, January 13, 2013

Se é verdade eu não sei... #1

Odair* chegou pra mim na rodoviária de Paraíso do Tocantins com aquela conversa bem manjada de quem tá pedindo dinheiro pra cachaça: "Oh fera, tô pedindo dinheiro pra poder comprar minha passagem. Falta somente 25 reais". Puxei prosa com o sujeito e ele me contou que a cada 15 dias ele abastece seu caminhão com aquelas bolas coloridas, aquelas bem grandes que crianças adoram, e sai por várias cidades do Brasil revendendo. Me contou que seu caminhão tombou e perdeu toda a mercadoria que tinha. A cabine do caminhão ficou toda queimada. Odair tinha marcas de queimaduras pelo corpo, pequenas marcas, e um curativo até que grande na testa. Ao me contar a história, ele fazia aquela cara de coitado, que no meu julgamento era até um pouco forçada. Odair me contou que era da Bahia, da cidade de Seabra. Disse que tinha esposa e filhos. Disse também que estava tentando juntar dinheiro pra comprar a passagem havia 8 dias, e que estava usando um pouco da grana pra comer. Uma refeição por dia, somente. A passagem custava 170 reais. Eu estava sem um puto do bolso, meu dinheiro estava no hotel e só estava com cigarros e uma latinha de breja na mão. No outro dia, o vi circulando pela cidade e à noite, esperando meu ônibus pra Imperatriz, ele me viu e veio todo contente me mostrar os 170 reais que tinha conseguido e que estava feliz voltando pra Seabra.  

* Nome alterado.

Sunday, December 30, 2012

Mochilão em 20 posts. [Mochilão #20]

Salvador - Bahia
Pois é. Cá estou em São Paulo novamente, minha cidade natal. Em novembro do ano passado, trabalhando na coordenação pedagógica do CNA Penha, tive essa ideia de pedir as contas e viajar por um tempo. Primeiro pensei em fazer uma viagem mais longa, tentar trabalhar em outros países. Não era uma vontade de fazer exclusivamente isso, era mais uma vontade de parar de trabalhar por um tempo, diminuir o ritmo. Poderia ser pra qualquer lugar, e considerei vários, desde viajar pela América do Sul até um intercâmbio de idioma em outro país do outro lado do mar. Parei de trabalhar em agosto e já tinha em planos que começaria a viagem em setembro. Já faz tempo que não tenho a necessidade de ser assertivo em relação às coisas e eu deixo elas fluírem e sigo minha intuição. No final das contas, eu, e não mais ninguém, é que ficarei com as consequências de minhas decisões. E seguindo esse movimento que prorroguei minha viagem pra outubro, começando por Floripa. Fiquei 15 dias na casa do Rodrigo e de lá seguiria para o Paraguai. A burocracia dos documentos me impediu tal intento e acabei voltando pra São Paulo. Não queria ficar longe da Juliana e os 15 dias em Floripa deixou isso bem claro pra mim. Resolvi mudar radicalmente e fazer um mochilão de 1 mês pelo Brasil. Assim, de ônibus mesmo, ficando no máximo 3 dias em cada cidade, pegando carona quando possível e gastando o mínimo. Comecei pelo sul do Goiás e fui subindo, atravessando o Tocantins inteiro e entrando no Maranhão por Imperatriz. Na transversal fui pela Transamazônica até Picos, no Piauí e segui pra Juazeiro do Norte, no Ceará. Fiquei uns tempos na região Metropolitana do Cariri, sul do Ceará e atravessei Pernambuco, entrando na Bahia por Juazeiro. Desci rumo a Feira de Santana mas resolvi mudar o trajeto e conhecer a Chapada Diamantina, antes de seguir pra Salvador. Cidades com praias não estavam no meu plano, mas resolvi adiantar minha volta pegando uma passagem de avião promocional de Salvador pra São Paulo. Viajar mais, trabalhar menos, celebrar a vida e tudo o que ela oferece em cada momento. E como sempre, o que é realizado é muito mais gostoso do que aquilo que só fica nos planos pro futuro.      

Monday, December 24, 2012

Sobe no ônibus, desce do ônibus e pergunta como chegar lá. [Mochilão #19]

Seabra - Bahia
Uma postagem rápida pra contar minha história pra chegar aqui em Lençóis, na Chapada Diamantina. Postagem rápida, viagem longa. Bom, estava indo pra Feira de Santana e resolvi descer em Capim Grosso, algumas horas antes. De lá pra cá tudo mudou. Se fosse pra Feira de Santana, continuaria a viagem frenética de ônibus até São Paulo. Mas descendo em Capim Grosso, decidi vir pra Chapada Diamantina, passar uns dias dando férias das férias e pegar um avião de Salvador pra São Paulo. Viagem promocional, preço bom, que a Juliana arranjou pra mim. Okay, vamos pra história. De Capim Grosso peguei um ônibus pra Morro do Chapéu. Busão que era pra sair às 16h e saiu às 17:30. 4 horas num trajeto inacreditável que você faria em menos de 1 hora de carro. Fomos parando em todas as cidades no caminho, coisa que é bem comum nessas bandas. Chegando lá, pousada arrumada, bora tomar uma breja. Somente um bar aberto. Logo vi que a cidade toda estava fugindo de lá pra passar o Natal em outras paragens. No outro dia tive que sair ao meio dia porque o dono estava indo passar as festas com família num sítio. Cara bem bacana que falou pra eu tentar chegar em Lençóis o mais rápido possível, caso contrário passaria o Natal na estrada ou ouvindo Axé Bahia no último volume em alguma cidade perdida. Dica acatada, peguei um busão correndo pra Irecê saindo às 14h, isso do dia 23. Aquela mesma história parando em todas as cidades até Seabra, chegando quase às 22h. Pousadinha simples, com janta e mosqueteira no quarto. Isso vale muito mais que hotel de luxo sem mosqueteira. Os pernilongos chegam matando. Pernoite e janta por apenas 25 pilas e do lado da rodoviária. Já no dia 24, hoje, pego ônibus de Seabra pra Lençóis às 8h da matina e chego nesse paraíso às 10h. Por indicações, enfim faço check-in num HI Hostel bem bacana. Esse lugar é lindo, e se nunca veio pra cá, coloque na sua lista. Com um carrinho bacana essa história toda levaria de Capim Grosso pra Lençóis, umas 5 horas. Seríssimo. Por aqui ficarei por uns dias e sigo pra Salvador. Viagem nota 10! Considere fazer isso por uns tempos em algumas férias num futuro de sua vida. 

Saturday, December 22, 2012

Juá e o Velho Chico. [Mochilão #18]

Estátua Nego D'água - Juazeiro.
Existem várias Juazeiros pelo Nordeste Brasileiro. As mais conhecidas são Juazeiro do Norte, no Ceará, terra do Padre Cícero, e a Juazeiro, que fica na Bahia. E é nessa segunda que estive uns dias atrás nessa minha descida pra Sampa. Depois que saí de Missão Velha (CE), atravessei Pernambuco passando por Salgueiro, Cabrobó e Petrolina. Pra quem vem pela BR-428, Petrolina é a última cidade. Atravessando a Ponte Presidente Dutra, você já se encontra na Bahia, na cidade de Juazeiro. É assim, uma de frente pra outra, separadas pelo Rio São Francisco, ou Velho Chico, como também é chamado. Juazeiro é uma árvore típica do Nordeste Brasileiro, reputada por diversas propriedades medicinais. Seu extrato, o juá, é empregado na indústria farmacêutica em produtos cosméticos, dentre eles xampus e cremes, bem como em cremes dentais. Em 2006 visitei o Delta do São Francisco, que fica a 140 km de Maceió, e tive a oportunidade de nadar em suas águas. Uma pena constar que em Juazeiro, pelo menos na orla do centro, isso não seria possível. Bonito pra se ver, mas fedido como o Rio Tietê, na capital, quando bate aquele calor. Foi uma visita rápida, estou evitando cidades grandes, mas a brisa do rio deu uma recarga na bateria. O calor no sertão é de matar mesmo. Pena que em Capim Grosso, já descendo mais ainda,  a bateria deu descarregada. Uma noite em claro com pernilongos assassinos e o barulho infernal de um bar ao lado da pousada, com música ao vivo, microfonias, péssimos cantores, uma caminhonete com som ligado e um grupo de pessoas que só sabiam conversar gritando, até o sol raiar. Literalmente. Há a beleza e a feiura das coisas. Espero encontrar paragens mais bonitas pelo caminho de volta pra casa.  

Thursday, December 20, 2012

Challenge Accepted. [Mochilão #17]

Missão Velha - Ceará
A Carol me desafiou a visitar a cidade de Quirinópolis, em Goiás. Tudo por causa de uma brincadeira, já que Quirino é meu sobrenome. Logo vieram outros desafios no curso da viagem. A Dani escolheu a cidade de Missão Velha, no Ceará, e me deu a missão de visitar o GeoPark Araripe. Teria que encontrar registros de algum pterossauro. O GeoPark Araripe possui 9 geossítios nessa região que é chamada de Chapada do Araripe, localizada no sul do estado, na Região Metropolitana do Cariri. O único problema é que o geossítio Parque dos Pterossauros fica na cidade de Santana do Cariri. Aqui em Missão Velha eu visitei 2 geossítios: Cachoeira de Missão Velha e Floresta Petrificada do Cariri. O primeiro, bem mais interessante pra quem não é especialista nesses assuntos de Paleontologia, tem uma trilha de 1,9 km pela caatinga e é palco de várias lendas e estórias de encantamentos e mortes. A trilha, bem sinalizada, termina na Casa de Pedra, construída por colonizadores vindos da Bahia e Alagoas, no século XVII. Tem também uma cachoeira que os índios Kariri acreditavam ser um portal para a Terra Encantada do Cariri. Além disso, nesse geossítio estão preservados icnofósseis, vestígios de invertebrados aquáticos, com cerca de 420 milhões de anos. No dia seguinte fiz o caminho até o segundo geossítio, a Floresta Petrificada do Cariri. Mais de 1 hora de caminhada pela estrada sob um sol de lascar e quando chego lá o local está fechado. Mas isso não foi impedimento, se é que me entende. Visitei os dois geossítios sem guia e não encontrei nenhuma pessoa no caminho. Gostei das placas de sinalização, que me possibilitaram entender o que estava vendo. Mas tamanhas preciosidades não poderiam estar largadas assim, sem guias ou, pelo menos, pessoas cuidando dos locais.

Monday, December 17, 2012

Minha peregrinação para a terra do Padre Cícero. [Mochilão #16]

Juazeiro do Norte - Ceará
A bem da verdade é que saí que nem louco pra esse mochilão. Não pesquisei nada e decidi meu destino nos acréscimos do segundo tempo. Como já disse aqui, fosse Nepal ou São José do Rio Pardo, tava valendo. No decorrer da viagem, depois que senti o ritmo das coisas, comecei a traçar alguns pontos. Se não fizesse isso, ia acabar em alguma tribo indígena no Amazonas, ou no Monte Roraíma, enfim. Indo pro norte do país, estabeleci que chegaria até Imperatriz, no Maranhão, e depois começaria a ir na transversal. Outro ponto estabelecido foi Juazeiro do Norte no Ceará pra depois começar a descida de volta pra Sampa. Também estabeleci que não visitaria capitais e nem cidades com mar. Essas capitais posso conhecer depois e ainda pretendo fazer uma viagem indo do litoral gaúcho até a Ilha de Marajó, no Pará. Depois de ter lido um livro chamado Cabras, fiquei morrendo de vontade de conhecer o Sertão Nordestino. Juazeiro do Norte é a capital do Sertão. Os relatos do livro me deixaram bem curioso sobre essa cidade e, apesar de não ter nenhuma religião, eu sou um observador das coisas e queria estar lá pra ver. Mas minha peregrinação começou bem antes de subir o Caminho do Horto sob o sol do meio dia (sim, fui bem burro e ingênuo) que me custou dois litros de água na subida de um pouco mais de 1 hora. Minha peregrinação começou quando depois de enfrentar a Sin City do Piauí, a cidade de Floriano, eu tive que esperar por longas horas o ônibus que me levaria pra Juazeiro do Norte, saindo da cidade de Picos. Eu desmaiei no ônibus de cansaço e minha fome estava em níveis preocupantes. Chegando na terra do Padre Cícero, eu quase dormi num dos bancos da rodoviária. Mas juntei forças e resolvi procurar algum lugar pra ficar. Encontrei um taxista bem bacana que me explicou várias coisas sobre essa terra e me levou para o hotel mais barato do centro, que segundo ele seria o melhor ponto de partida pra conhecer as coisas. Além de ter me levado, ele convenceu o recepcionista a fazer diárias por 25 pilas, ao invés de 35. Esse cara foi massa, pena que não o encontrei outras vezes por lá. Juazeiro do Norte tem um lance inexplicável no ar. O povo ama a cidade e Padre Cícero é o cara pra eles. Tudo gira em torno dessa figura e, farsa ou não, cativou todo um povo. Até Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, era devoto desse cabra e chegaram a se encontrar uma vez. Padim Ciço, como é mais frequentemente chamado pelos devotos, morreu em 20 de julho de 1934.

Sunday, December 16, 2012

Cidade de Floriano: Quem tem coragem? [Mochilão #15]

Rodoviária de Floriano - Piauí
"Cidade de Floriano, quem tem coragem?" foi como o motorista figuraça do ônibus anunciou a primeira cidade do Piauí pra quem vem pela BR-230 saindo do Maranhão. Logo de cara sou abordado por dezenas de moto-taxis me oferendo uma carona, outros me oferecendo passagens com descontos para diversos lugares e depois de me desvencilhar de tais sujeitos, percebo que desembarquei na Sin City do Piauí. Você, Florianense, não fique chateado. Minhas impressões se referem aos arredores da rodoviária. Mas não diga que não é assim. É assim e eu vi com os meus próprios olhos. Floriano tem uma atmosfera bombástica. Além do som super alto vindo das barracas que ficam na calçada, bem de frente pra rodoviária, senti toda espécia de cheiros ao mesmo tempo. Se alguém riscasse um fósforo ali, era explosão na certa. Cada barraca tocando seu som, disputando em volume com cada carro estacionado. Eu nem sei o que estava tocando. Coloquei minha mochila no chão, ao lado de uma mesa, e pedi uma cerveja. Era aquela gritaria generalizada e não dava pra sacar se era conversa alta por conta do som alto, ou se era briga. Foi uma breja só e me mandei dali. Era caminhão atrás de caminhão passando na avenida e milhares - MILHARES - de motos. Do outro lado da rodoviária uma rua cheia de dormitórios. Quartos pequenos com banheiro coletivo, sem café da manhã por 25 pilas. Eu precisava muito me retirar e descansar. Meu ônibus pra Juazeiro do Norte passaria somente em 5 horas. Depois de um breve descanso, sem deixar de ouvir gemidos de gente transando e brigando nos quartos vizinhos, procurei um lugar pra tomar café da manhã. A procura foi em vão e preferi jejuar até alguma parada que o ônibus fizesse na estrada. Mas, para minha surpresa, o ônibus ia atrasar 3 horas. Não, não poderia mais ficar ali. Como não tinha comprado minha passagem ainda, arrumei um táxi que me levou até a cidade de Picos (2 horas de viagem) por somente 40 reais. Mas porque fui dividindo com duas senhoras que foram atrás. Mas mesmo assim, né? Você de São Paulo sabe que isso se gasta facilmente do Tatuapé até o Cangaíba. Em Picos, outra supresa. A rodoviária tinha almoço bom, lan house e ar-condicionado. Fiquei de careta com a diferença entre as duas cidades de quase mesmo tamanho. De lá segui minha peregrinação pra Juazeiro do Norte. Mas não antes de enfrentar mais horas de espera e sob um calor de 42 graus que estava me derretendo na sombra. Isso tudo pra conhecer a cidade de Padre Cícero, que te conto logo mais.    

Friday, December 14, 2012

Pela Rodovia Transamazônica. [Mochilão #14]

BR-230 - Chapada das Mesas
A Rodovia Transamazônica (BR-230), é a terceira maior rodovia do país. Foi projetada durante a ditadura militar e é considerada uma obra faraônica devido a suas proporções gigantescas. Tem um trecho no Pará e no Amazonas que não é pavimentada. Na época da construção, os trabalhadores ficavam completamente isolados e sem comunicação por meses. Por não ser pavimentada nessa região, o trânsito é impraticável na época de chuvas, entre outubro e março. É bem nessa época que cá estou. Mas comecei minha aventura por ela em trechos bem melhores. Como alguns dizem: um tapete! De Imperatriz descendo pra Carolina, num trecho lindo, cortando a Chapada das Mesas. Ainda bem que fiz esse trecho durante o dia e pude ver a exuberância da Chapada mesmo antes de fazer meus passeios por ela. Carolina é uma cidade bem calma e cheia de bikes. Aliás, bike é o que não falta nessas cidades por onde tenho passado. É uma grande pena que na medida que o pessoal vai conseguindo dinheiro, vão trocando as bikes por motos. A quantidade de motos que tenho visto, mesmo em cidades planas de 10 mil habitantes, é um absurdo. A poluição sonora é horrível. Mas Carolina e Riachão, ainda no Maranhão e na Chapadas das Mesas, conservam aquela calma e silêncio de cidade pequena. Ambas com cerca de 30 mil habitantes, no máximo. Carolina é banhada pelo Rio Tocantins e é linda! De Carolina até Riachão leva mais ou menos 40 minutos. Consegui uma carona na estrada e consegui uma pousada bem na beira da Transamazônica. De lá fiz passeios por cachoeiras lindas da região, também de carona. É bem fácil pegar uma carona por essas bandas. Fui de moto num trecho de 30km, só na terra. Que minha mãe não saiba disso. Ainda pela BR-230, saí do estado do Maranhão e cruzei pro Piauí, parando na cidade de Floriano. Foi uma viagem longa de ônibus, parando em todas as cidadezinhas do caminho. 8 horas num trecho de quase 300km, mas era a única opção. O motorista era uma figura. Brincava com todos, cumprimentava todas as pessoas nos guichês das rodoviárias e sempre estava rindo e fazendo piadas. Em cada cidade que parávamos, ela anunciava com aquela voz de narrador de rodeio, fazendo algum comentário da cidade. E foi em Floriano, depois do anúncio "cidade de Floriano! Quem tem coragem?" que desembarquei. Só precisei de poucos minutos pra entender o anúncio. Essa te conto depois. 

Wednesday, December 12, 2012

25 mil quilômetros pelo interior do Brasil. [Mochilão #13]

Carolina - Chapada das Mesas - MA
Não, não vou fazer 25 mil quilômetros pelo interior do Brasil. Da última vez que calculei, estava por volta de 3 mil. Essa é a distância que a Coluna Prestes percorreu pelo país em dois anos e meio. Dizem que em sua marcha pelo Brasil, os integrantes denunciavam a miséria da população e a exploração das camadas mais pobres pelos líderes políticos. Isso aconteceu entre 1925 e 27. Mas você sabe, difícil confiar num movimento político-militar. Em 1998 o Centro de Pesquisa e Documentação (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, abriu um conjunto de 28 mil cartas, manuscritos e fotos de Juarez Távora , que formava com Prestes e Miguel Costa a cúpula da Coluna. Esses documentos revelam que não eram recebidos com festas por onde passavam, como diziam. Há relatos de estupro, saques e assassinatos. Mas o que a Coluna Prestes tem a ver com a minha viagem? Tá vendo esse casarão da foto? Pois bem, fica ao lado da pousada onde fiquei em Carolina, no Maranhão. E foi nesse casarão que a Coluna ficou hospedada e recebida pela população com uma missa e uma festa. Marcos, um amigo que fiz nessas andanças, me contou essa história e muitas outras. É bem interessante o trajeto feito pela Coluna. Quem sabe um dia não role um Mochilão Coluna Prestes? Se tiver alguém aí, eu topo. Carolina é uma cidade bem tranquila e ponto de apoio pro Parque Nacional Chapada das Mesas e todas as outras belezas naturais da região. Arrisco dizer que foi o ponto máximo da viagem, até agora. Mas ainda é cedo. Enquanto isso vou ouvir muitas histórias por aí.